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OLHAI A CRISE DO MUNDO!!!Aristoteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro |
Pior cego é o que não quer ver, diz a voz do povo. A crise mundial não está superada – apesar de encaminhada. Mas demandará tempo para a União Europeia e o Tesouro dos EUA se recuperarem de tantos bilhões de retorno duvidoso para salvar portadores de títulos sem lastro, de países que gastam o que não podem. Grécia e Portugal pagam 14 salários a seus trabalhadores, enquanto a China, Índia e Leste Europeu estão com mão-de-obra muito mais barata. Por isso, não atraem investimentos e perdem o que têm. Portugal acabou com a indústria têxtil e vidreira, tem dificuldades em seu custeio da máquina pública por políticas liberais quanto a salários e vantagens. Ou seja, a velha história da irresponsabilidade socialista. O capital dos países do chamado Primeiro Mundo estará voltado para apagar seus incêndios e recuperar a capacidade de competir. A China e a Índia dependem dos mercados europeus e americanos para manter o crescimento. Na verdade, são nossos concorrentes; não parceiros. Nossa pauta de exportação e manufaturados vem encolhendo, perdendo qualidade. E o que resta no agronegócio ainda é punido pelo noticiário maldoso, pela ação do MST e pela queda dos preços. Sem falar na falta de infraestrutura. Não podemos crescer três anos seguidos em torno dos 5%, uma vez que não temos estradas, portos e, talvez, nem energia. O desemprego que assombra a Europa tem sua versão aqui na falta de mão-de-obra para suportar novos investimentos. Não temos engenheiros suficientes nem técnicos em petróleo. Nossos médicos preferem lutar por um emprego de dois mil reais no Sudeste a ganharem dez a 15 mil no interior, no Norte ou no Nordeste. E perdemos tempo na futricaria política, na demagogia ao se discutir a diminuição da carga horária semanal de nossos trabalhadores. Parece piada!!! José Luis Alqueres, presidente a Associação Comercial do Rio e executivo sênior do setor elétrico, lembra que já exportamos os mesmos equipamentos que estamos importando. Algo, portanto, não está certo. É preciso humildade e ação nesse momento. Os próprios candidatos devem mostrar projetos de recuperação sustentada da economia e responsabilidade nos gastos públicos e, especialmente, na eficiência no trato da legislação – seja ela fiscal, trabalhista ou portuária – para que possamos atrair investimentos de fora e estimularmos os nossos próprios investidores. Apelações como as de se falar mal de banqueiro não resolve nada. Muito pelo contrário. É momento de reflexão e não de se brigar com a realidade internacional. Os jornais lá de fora já andam desconfiados de nossa inércia. Transcrito da página: http://www.aristotelesdrummond.com.br/olhai-a-crise-do-mundo.asp |
5.22.2010
5.13.2010
Os militares precisam descobrir a força que a instituição tem, BRASIL.
*Vale a pena conferir...*
*Vale a pena ser lido na íntegra*
Forças Armadas e sobre a relutância dos governos de FHC e de Lula em
reajustar dignamente os salários dos militares.
O cidadão ingênuo até pensaria que os sucessivos cortes no
orçamento do Ministério da Defesa e a insistência em negar os reajustes
salariais à categoria poderiam, mesmo, decorrer de uma contenção de gastos,
dessas que as pessoas honestas costumam fazer para manter em equilíbrio o
binômio receita/despesa, sem comprometer a dignidade de sua existência.
Mas depois de tanto acompanhar o noticiário nacional, certamente
já ficou fácil perceber que não é esse o motivo que leva o governo a esmagar
a única instituição do país que se pauta pela ampla, total e irrestrita
seriedade de seus integrantes e que, por isso mesmo, goza do respaldo
popular, figurando sempre entre as duas ou três primeiras colocadas nas
pesquisas sobre credibilidade.
A alegação de falta de dinheiro é de todo improcedente ante os
milhões (ou bilhões?) de reais que se desviaram dos cofres públicos para os
ralos da corrupção política e financeira, agora plenamente demonstrada pelas
CPMIs em andamento no Congresso Nacional.
O reajuste salarial concedido à Polícia Militar do Distrito
Federal, fazendo surgir discrepâncias inadmissíveis entre a PM e as Forças
Armadas para os mesmos postos, quando o dinheiro provém da mesma fonte
pagadora - a União -, criar uma situação constrangedora para os que
integram uma carreira que sempre teve entre suas funções justamente a de
orientar todas as Polícias. Militares do país, consideradas forças
auxiliares e reserva do Exército (art. 144, § 6º da Constituição Federal).
Mas agora a charada ficou completamente desvendada. E se você,
leitor, quer mesmo saber por que raios o governo vem massacrando as Forças
Armadas e os militares, a ponto de o presidente da República sequer receber
seus Comandantes para juntos discutirem a questão, eu lhe digo sem rodeios:
é por pura inveja e por medo da comparação que, certamente, o povo já começa
a fazer entre os governos militares e os que os sucederam. Eis algumas das
razões dessa inveja e desse medo:
1) Porque esses políticos (assim como os 'formadores de opinião'), que falam
tão mal dos militares, sabem que estes passam a vida inteira estudando o
Brasil - suas necessidades, os óbices a serem superados e as soluções para
os seus problemas - e, com isso, acompanham perfeitamente o que se passa no
país, podendo detectar a verdadeira origem de suas mazelas e também as suas
reais potencialidades. Já os políticos profissionais - salvo exceções cada
vez mais raras - passam a vida tentando descobrir uma nova fórmula de
enganar o eleitor e, quando eleitos, não têm a menor idéia de por onde
começar a trabalhar pelo país porque desconhecem por completo suas
características, malgrado costumem, desde a candidatura, deitar falação
sobre elas como forma de impressionar o público. Sem falar nos mais
desonestos, que, além de não saberem nada sobre a terra que pretendem
governar ou para ela legislar, ainda não têm o menor desejo de aprender o
assunto.. Sua única preocupação é ficar rico o mais rápido possível e
gastar vultosas somas de dinheiro (público, é claro) em demonstrações de
luxo e ostentação.
2) Porque eles sabem que durante a 'ditadura' militar havia projetos para o
país, todos eles de longo prazo e em proveito da sociedade como um todo, e
não para que os governantes de então fossem aplaudidos em comícios (que,
aliás, jamais fizeram) ou ganhassem vantagens indevidas no futuro.
3) Porque eles sabem que os militares, por força da profissão, passam, em
média, dois anos em cada região do Brasil, tendo a oportunidade de conhecer
profundamente os aspectos peculiares a cada uma delas, dedicando-se a
elaborar projetos para o seu desenvolvimento e para a solução dos problemas
existentes. Projetos esses, diga-se de passagem, que os políticos, é lógico,
não têm o mínimo interesse em conhecer e implementar.
4) Porque eles sabem que dados estatísticos são uma das ciências militares
e, portanto, encarados com seriedade pelas Forças Armadas e não como meio de
manipulação para, em manobra tipicamente orwelliana, justificar o
injustificável em termos de economia, educação, saúde, segurança, emprego,
índice de pobreza, etc.
5) Porque eles sabem que os militares tratam a coisa pública com parcimônia,
evitando gastos inúteis e conservando ao máximo o material de trabalho que
lhes é destinado, além de não admitirem a negligência ou a malícia no
trabalho, mesmo entre seus pares. E esses políticos por certo não
suportariam ter os militares como espelho a refletir o seu próprio
desperdício e a sua própria incompetência.
6) Porque eles sabem que os militares, ao se dirigirem ao povo, utilizam um
tom direto e objetivo, falando com honestidade, sem emprego de palavras
difíceis ou de conceitos abstratos para enganá-lo.
7) Porque eles sabem que os militares trabalham duro o tempo todo, embora
seu trabalho seja excessivo, perigoso e muitas vezes insalubre, mesmo
sabendo que não farão jus a nenhum pagamento adicional, que, de resto,
jamais lhes passou pela cabeça pleitear.
8) Porque eles sabem que para os militares tanto faz morar no Rio de Janeiro
ou em Picos, em São Paulo ou em Nioaque, em Fortaleza ou em Tabatinga porque
seu amor ao Brasil está acima de seus anseios pessoais.
9) Porque eles sabem que os militares levam uma vida austera e cultivam
valores completamente apartados dos prazeres contidos nas grandes grifes,
nas mansões de luxo ou nas contas bancárias no exterior, pois têm
consciência de que é mais importante viver dignamente com o próprio salário
do que nababescamente com o dinheiro público.
10) Porque eles sabem que os militares têm companheiros de farda em todos os
cantos do país, aos quais juraram lealdade eterna, razão por que não admitem
que deslize algum lhes retire o respeito mútuo e os envergonhe.
11) Porque eles sabem que, por necessidade inerente à profissão, a atuação
dos militares se baseia na confiança mútua, vez que são treinados para a
guerra, onde ordens emanadas ou cumpridas de forma equivocada podem
significar a perda de suas vidas e as de seus companheiros, além da derrota
na batalha.
12) Porque eles sabem que, sofrendo constantes transferências, os militares
aprendem, desde sempre, que sua família é composta da sua própria e da de
seus colegas de farda no local em que estiverem, e que é com esse convívio
que também aprendem a amar o povo brasileiro e não apenas os parentes ou
aqueles que possam lhes oferecer, em troca, algum tipo de vantagem.
13) Porque eles sabem que os militares jamais poderão entrar na carreira
pela 'janela' ou se tornar capitães, coronéis ou generais por algum tipo de
apadrinhamento, repudiando fortemente outro critério de ingresso e de
ascensão profissional que não seja baseado no mérito e no elevado grau de
responsabilidade, enquanto que os maus políticos praticam o nepotismo, o
assistencialismo, além de votarem medidas meramente populistas para manterem
o povo sob o seu domínio.
14) Porque eles sabem que os militares desenvolvem, ao longo da carreira, um
enorme sentimento de verdadeira solidariedade, ajudando-se uns aos outrosa
suportar as agruras de locais desconhecidos - e muitas vezes inóspitos -,
além das saudades dos familiares de sangue, dos amigos de infância e de sua
cidade natal.
15) Porque eles sabem que os militares são os únicos a pautar-se pela
grandeza do patriotismo e a cultuar, com sinceridade, os símbolos nacionais
notadamente a nossa bandeira e o nosso hino, jamais imaginando
acrescentar-lhes cores ideológico-partidárias ou adulterar-lhes a forma o
conteúdo.
16) Porque eles sabem que os militares têm orgulho dos heróis nacionais que,
com a própria vida, mantiveram íntegra e respeitada a terra brasileira e que
esses heróis não foram fabricados a partir de interesses ideológicos, já
que, não dependendo de votos de quem quer que seja, nunca precisaram os
militares agarrar-se à imagem romântica de um guerrilheiro ou de um traidor
revolucionário para fazer dele um símbolo popular e uma bandeira de
campanha.
17) Porque eles sabem que para os militares o dinheiro é um meio, e não um
fim em si mesmo. E que se há anos sua situação financeira vem se degradando
por culpa de governos inescrupulosos que fazem do verbo inútil - e não de
atos meritórios - o seu instrumento de convencimento a uma população em
grande parte ignorante, eles ainda assim não esmorecem e nem se rendem à
corrupção.
18) Porque eles sabem que se alguma corrupção existiu nos governos
militares, foi ela pontual e episódica, mas jamais uma estratégia política
para a manutenção do poder ou o reflexo de um desvio de caráter a
contaminá-lo por inteiro.
19) Porque eles sabem que os militares passam a vida estudando e praticando,
no seu dia-a-dia, conhecimentos ligados não apenas às atividades bélicas,
mas também ao planejamento, à administração, à economia o que os coloca em
um nível de capacidade e competência muito superior ao dos políticos
gananciosos e despreparados que há pelo menos 20 anos nos têm governado.
20) Porque eles sabem que os militares são disciplinados e respeitam a
hierarquia, ainda que divirjam de seus chefes, pois entendem que eles são
responsáveis e dignos de sua confiança e que não se movem por motivos torpes
ou por razões mesquinhas.
21) Porque eles sabem que os militares não se deixaram abater pelo massacre
constante de acusações contra as Forças Armadas, que fizeram com que uma
parcela da sociedade (principalmente a parcela menos esclarecida)
acreditasse que eles eram pessoas más, truculentas, que não prezam a
democracia, e que por dá cá aquela palha estão sempre dispostos a perseguir
e a torturar os cidadãos de bem, quando na verdade apenas cumpriram o seu
dever, atendendo ao apelo popular para impedir a transformação do Brasil em
uma ditadura comunista como Cuba ou a antiga União Soviética, perigo esse
que já volta a rondar o país.
22) Porque eles sabem que os militares cassaram muitos dos que hoje estão
envolvidos não apenas em maracutaias escabrosas como também em um golpe de
Estado espertamente camuflado de 'democracia' (o que vem enfim revelar e
legitimar, definitivamente, o motivo de suas cassações), não interessando ao
governo que a sociedade perceba a verdadeira índole desses
guerrilheiros-políticos aproveitadores, que não têm o menor respeito pelo
povo brasileiro. Eles sabem que a comparação entre estes últimos e os
governantes militares iria revelar ao povo a enorme diferença entre quem
trabalha pelo país e quem trabalha para si próprio.
23) Porque eles sabem que os militares não se dobraram à mesquinha ação da
distorção de fatos que há mais de vinte anos os maus brasileiros impuseram à
sociedade, com a clara intenção de inculcar-lhe a idéia de que os
guerrilheiros de ontem (hoje corruptos e ladrões do dinheiro público)
lutavam pela 'democracia', quando agora já está mais do que evidente que o
desejo por eles perseguido há anos sempre foi - e continua sendo - o de
implantar no país um regime totalitário, uma ditadura mil vezes pior do que
aquelas que eles afirmam ter combatido.
24) Porque eles sabem que os militares em nada mudaram sua rotina
profissional, apesar do sistemático desprezo com que a esquerda sempre
enxergou a inegável competência dos governos da 'ditadura', graças aos quais
o país se desenvolveu a taxas nunca mais praticadas, promovendo a melhoria
da infra-estrutura, a segurança, o pleno emprego, fazendo, enfim, com que o
país se destacasse como uma das mais potentes economias do mundo, mas que
ultimamente vem decaindo a olhos vistos.
25) Porque eles sabem que os militares se mantêm honrados ao longo de toda a
sua trajetória profissional, enquanto agora nos deparamos com a descoberta
da verdadeira face de muitos dos que se queixavam de terem sido cassados e
torturados, mas que aí estão, mostrando o seu caráter abjeto e seus pendores
nada democráticos.
26) Porque eles sabem que os militares representam o que há de melhor em
termos de conduta profissional, sendo de se destacar a discrição mantida
mesmo frente aos atuais escândalos, o que comprova que, longe de terem
tendências para golpes, só interferem - como em 1964 - quando o povo assim o
exige.
27) Porque eles sabem que os militares, com seus conhecimentos e dedicação
ao Brasil, assim como Forças Armadas bem equipadas e treinadas são um
estorvo para quem deseja implantar um regime totalitarista entre nós, para
tanto se valendo de laços ilegítimos com ditaduras comunistas como as de
Cuba e de outros países, cujos povos vêem sua identidade nacional se perder
de forma praticamente irrevogável, seu poder aquisitivo reduzir-se aos mais
baixos patamares e sua liberdade ser impiedosamente comprometida.
28) Porque eles sabem que os militares conhecem perfeitamente as causas de
nossos problemas e não as colocam no FMI, nos EUA ou em qualquer outro lugar
fora daqui, mas na incompetência, no proselitismo e na desonestidade de
nossos governantes e políticos profissionais.
29) Porque sabendo que ninguém pode enganar todo mundo o tempo todo,o
governo temia que esses escândalos, passíveis de aflorar a qualquer momento
pudessem provocar o chamamento popular da única instituição capaz de colocar
o país nos eixos e fazer com que ele retomasse o caminho da competência, da
segurança e do desenvolvimento.
30) Porque eles sabem, enfim, que todo o mal que se atribui aos militares e
às Forças Armadas - por maiores que sejam seus defeitos e limitações – não
tem respaldo na Verdade histórica que um dia há de aflorar.
Juíza Dra. *Marli Nogueira*,
Juíza do Trabalho em Brasília.
Abraços a todos da família militar
Recebido por e-mail.
"O SELO DA INTOLERÂNCIA"! "O EXERCÍCIO HEGEMÔNICO DO PODER"!
Trechos do artigo do historiador e politólogo argentino, Natalio Botana, no La Nacion (06).
1. A imposição e a intolerância pairam constantemente sobre nossa sociedade. A imposição se refere ao exercício hegemônico do poder. O exemplo mais simples de entender esse conceito de controle do executivo é aquele que diz respeito ao comportamento e à conduta centralizadora dos atuais governantes. Quando se mergulha nas entranhas dos conflitos e harmonias, se poderá advertir que este ânimo imposto, incapaz de entender razões e partilhar outro ponto de vista, impregna todos os tipos de instituições. Desde baixo até o alto, a hegemonia circula por todas as partes.
2. A paixão e a cegueira que estão espalhadas pelo espaço público fabricam inimigos e envolvem o discurso em uma atmosfera de guerra. Sempre voltamos ao processo eleitoral: quem é o inimigo? Como atacá-lo? Qual é o método mais eficaz para a difamação? À vista de tanto círculo vicioso, esta é
3. Mas quase toda a ideologia oprimida com vocação totalitária, quando trata de sair desta situação, busca se tornar opressora. Isto se assemelha perigosamente aos ventos que sopram nestes dias, impulsionado por uma versão elementar de justiça, que como uma máscara, esconde o apetite por vingança. Esse suposto "direito a intolerância", Voltaire classificava como "absurdo e bárbaro". É um
4. Devemos nos perguntar se essa atmosfera contribui para consolidar as instituições do Estado de Direito. Definitivamente não! A causa dos erros e mentiras que são postas em circulação e do equívoco que supõe aplicar um conceito hegemônico da política a uma sociedade fragmentada, diversa em sua estrutura, mas ainda incapaz de transformar essa heterogeneidade em um pluralismo construtivo. A essa tarefa de reconstrução devem destinar-se as oposições, em defesa do valor da tolerância.
Transcrito do Ex-Blog do César Maia.
5.09.2010
LATROCRACIA
Por Aileda de Mattos Oliveira
Se houvesse a cadeira de Antropologia Criminal, este campo de estudos estaria bastante motivado, tendo em vista que com o desaparecimento dos valores morais e éticos, foram elevados à categoria de 'excelência', os que deveriam servir de objeto de análise nesta área científica: os sociopatas e os de instintos perversos.
Se ainda vivesse Cesare Lombroso, que se dedicou, com afinco, aos estudos da relação entre o aspecto físico de um indivíduo e as suas tendências criminosas, não iria dar conta de seu trabalho pelo número de celerados que teria de analisar. As mandíbulas, a dimensão do crânio e de outras partes do corpo lhe iriam indicar a herança atávica de cada um e a sua propensão à delinqüência e à perversidade.
A palavra do título ('governo de ladrões') não existe no dicionário, porque também nunca na história de país algum, existiu um governo com tantos meliantes, razão da criação do neologismo para designar o bando de madraços que fizeram da Capital Federal, a grande célula comunista. Os adjetivos caracterizadores desta súcia, já se esgotaram nos sucessivos artigos dos muitos brasileiros indignados que se espraiam na internet.
O que diria Lombroso a respeito da candidata da situação, ao deparar-se com estranha e vulgar criatura que, se não tem a fluência verbal, sobra-lhe a virulência de sua personalidade doentia, simbolizada pelo dedo indicador em riste, como a querer fulminar o interlocutor com uma metralhadora digital? Lombroso teria que retornar às bases de seus estudos, pois estaria diante de um caso de psicopatia muito além de suas pesquisas sobre anomalias que chamava de 'estigmas'.
Qual seria o diagnóstico sobre esta mulher que não sabe explorar a feminilidade dos gestos, atrabiliária, tomada pela cólera revoltada, embora oriunda de família de posses e que deve dormir, tranquilamente, sem que o remorso dos atos criminosos lhe perturbem o repouso? A resposta de Lombroso nos causaria arrepios, sabendo-se que tal espécime poderá ascender ao Poder Maior e, o que é doloroso saber, tornar-se Comandante-em-Chefe das Forças Armadas.
O que diria Lombroso sobre a decisão do governo brancaleônico de libertar da prisão vinte por cento dos criminosos, vistos pelo seu dirigente, certamente, como amigos e companheiros? O que dirão as famílias das vítimas desses bandidos? O que dirão os policiais que arriscaram a vida para prendê-los e concluírem que seus colegas morreram em vão pelas mãos dos vadios, soltos por ordem superior? Serão oitenta mil condenados, agora, sob vigilância eletrônica (quanta mentira!), não mais atrás das grades, onde deveria estar a banda larga e podre das autoridades deste País.
Sabemos que a antropologia criminal de Lombroso estava desacreditada, mas com a uniformidade das ações dos que se alocam no antro do Executivo e do Legislativo, este cientista alcançaria a glória, pois teria uma diversidade de corpos, com a mesma alma negra.
As semelhanças físicas dos que ocupam a liderança são também incríveis: rotundos, arcadas proeminentes, línguas presas, que se irmanizam pelos dedos ágeis na locupletação dos bens públicos. Esta semelhança moral ainda é mais assustadora: todos cínicos todos desprovidos de qualquer quinhão de respeito às instituições e ao próximo, todos peças malfeitas, infelizmente, não eliminadas pela natureza que pecou pela distração.
Lombroso nasceu em época errada (século XIX) e em país europeu (Itália), Hoje, faria uma acurada análise das razões por que há, na espécie humana, indivíduos tão repugnantes nas ações que tornam a sua presença incômoda aos olhos da sociedade não afeita às distorções de conduta.
Que fizemos nós, brasileiros, aos Céus, para sofrermos com a presença desses bárbaros, cujo desejo insano é a destruição de tudo o que foi conquistado com o sacrifício da parte da sociedade que não mede esforços para levantar este Gigante atado e amordaçado? A outra parte da sociedade? Que se dane e continue a rastejar como réptil no esterco em que vive, conforme afirmou num dos seus imbecis improvisos, o seu chefe supremo. Aliás, ele prometeu tirá-la de lá.
Que espere! Vade retro, políticopatas de Brasília!
Aileda de Mattos Oliveira é doutora em Língua Portuguesa.
Transcrito do "Alerta Total":
4.09.2010
O ilustre Sr. Vanucchi, defendeu no Senado seu famigerado Projeto Nacional de Direitos Humanos, elaborado por uma equipe internacional e avaliado por 12 mil militantes, como obra de arte para substituir a Constituição Brasileira. Uma obra de arte que enterra o moribundo estado democrático de direito no Brasil.
Com um doce e inocente discurso pautado na "novilíngua gramscista", o Sr. Vanucchi, omitiu aos sábios do Senado, que o modelo jurídico do documento tem raízes nas diretivas dos encontros do Foro de São Paulo, para unificar procedimentos que garantam o poder aos partidos ditatoriais, disfarçados de democratas, em toda a América Latina, tendo como modelo a "democracia e a liberdade" do "avançado" modelo ditatorial castro-cubano.
Onde se encontram as ruas 19 e 21 em Havana, há um parque em homenagem a Vitor Hugo, o escritor francês cujo romance "Os miseráveis" é conhecido mundialmente. Naquela praça está um monumento memorial de uma greve de fome, em que 60 irlandeses morreram, protestando contra as políticas da corôa britânica. No memorial, uma placa inaugurada em 18 de Agosto de 1981, com as palavras do Coma'ndante Fidel Castro:
“La tozudez, la intransigencia, la crueldad, la insensibilidad ante la comunidad internacional del Gobierno Británico, frente al problema de los patriotas irlandeses en huelga de hambre hasta la muerte, recuerdan a Torquemada y la barbarie de la inquisición en plena edad media.(...) ¡Es hora de poner fin, mediante la denuncia y la presión de la comunidad mundial, a esa repugnante atrocidad!”
O que foi dito e feito ontem para enganar os visitantes estrangeiros, não vale mais hoje. Os 200 prisioneiros políticos, o pedreiro que morreu em greve de fome, que o Presidente Lula, em defesa da ditadura cubana, comparou aos presos comuns de São Paulo, não são vítimas da "intransigência, crueldade, insensibilidade" dos irmãos Castro, diante da comunidade e das leis internacionais, diante do mesmos cubanos.
Esta é a mesma linguagem do Sr. Vanucchi! Lula, Vanucchi e toda a corte comunista, desprezam a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a União Européia e o Departamento de Estado Norte Americano. Nosso pretenso estadista, age como os governantes argentinos, que aplaudiam e ouviam os ensinamentos do visitante Fidel Castro em Março de 2003, enquanto o mundo condenava as prisões e execuções da "Primavera Negra" em Cuba.
Esta insensibilidade e inversão de valores percorre hoje quase a totalidade da América Latina – Brasil, Argentina, Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Uruguai. Enquanto os russos estão armando e ocupando espaços neste continente, no dia 7 de Abril, Putin foi à Polônia, reconhecendo formalmente o Genocídio de Katyn. Pela primeira vez, um crime perpetrado sob ordens de Stalin e até pouco atribuído pelos russos aos nazistas é assumido, em sua real dimensão e verdade histórica.
O Congresso Polonês, após examinar documentos liberados por Gorbachov, em 1990, meio século depois, declarou que a matança de Katyn era "um crime de guerra, com traços de genocídio". Mais de vinte mil oficiais poloneses e civís, cada um com um tiro na nuca, foram assassinados pela KGB soviética e enterrados em valas comuns. O crime foi negado e atribuído aos nazistas durante meio século.
Há um filme do diretor polonês Andrzej Wajda, de 2007, que agora está sendo exibido pela tv russa. Quando foi lançado, poucas salas se atreveram a exibí-lo. Pode ser visto integralmente no endereço :
http://video.google.com/videoplay?docid=-2080155985610903776#
Entre nós, circulou o anúncio de um documetário sobre o atentado a bomba, que vitimou o então jovem Orlando Lovecchio, que passava em frente ao Consulado Norte Americano em São Paulo. Mas como a nova ordem brasileira impede a exposição de verdades históricas que comprometam seus “heróis” e fecha a boca dos "dissidentes" locais, o documentário segue desconhecido.
O mesmo acontece com os livros: somente são editados os que mostram como heróis os que desejavam a guerra civil e que chegaram ao poder, graças aos mecanismos democráticos preservados pelos militares que ocuparam temporariamente o poder. Quem sabe? Talvez daqui a 50 anos a história verdadeira seja publicada.
A guerra assimétrica que os militares esmagaram é ensinada como ditadura violenta, são ditos responsáveis por torturas, generalizando para as Instituições as práticas de alguns, práticas insanas, até hoje presentes em delegacias de polícia e na justiça particular entre os humanos traficantes das drogas fornecidas pelas Farc, membros do Foro de São Paulo que dá as cartas aos Vanucchi, Lula, Dilma e outros "humanos" comunistas.
Por enquanto ficamos com os vícios de linguagem, com as formas de violência e com o analfabetismo funcional que esmaga a inteligência e a memória desta nação. Ficamos com os revanchismos, os personalismos e o endeusamento de Guevara, Castro, Chavez, Farc e dos mais violentos ditadores, que executam no paredón dos “direitos humanos” o que resta de liberdade e dignidade em tantas nações reféns dos comunistas.
Transcrito do Blog "ViVerdeNovo".
3.16.2010
Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (13).
1. Beatriz Sarlo, ensaísta argentina, ensina que "o presente não é um momento único, mas responde a formações de média e longa duração. O presente se vive com paixões políticas, que o historiador não aceita sem que medeiem filtros teóricos e de método. Não somos historiadores de nosso presente, porque é impossível sê-lo" ("Clarín", 11/2).
2. Quem diz que está fazendo história, o que faz é se olhar no espelho. As relações entre os países americanos vêm desde as guerras de independência, que nos países hispânicos tomaram como referência a República construída nos EUA. No Brasil, da mesma forma, na superação do Império. No final do século 19, o debate político nos EUA centrou-se nas relações comerciais externas e em torno da política tarifária e acordos de reciprocidade.
3. Em 1889-90, realizou-se nos EUA a primeira Conferência Pan-Americana, matriz da futura OEA. Nela discutiram-se os acordos de reciprocidade. O primeiro deles é negociado com o Brasil, entre o ministro James Blaine e o representante brasileiro, depois cônsul, Salvador de Mendonça: o acordo Blaine-Mendonça.
4. A disputa do mercado brasileiro entre os EUA e a Europa culminou com o apoio europeu à Revolta da Armada, tentativa de golpe da Marinha, liderada pelo almirante Custódio de Melo, e depois o almirante Saldanha da Gama. Objetivo: derrubar o presidente Floriano Peixoto.
A baía da Guanabara foi ocupada pela presença ostensiva de navios de guerra europeus, em apoio aos da Marinha brasileira e com saudades da monarquia.
5. Floriano, nacionalista e industrialista, avesso ao acordo Blaine-Mendonça, terminou pragmaticamente cedendo, na busca de apoio militar dos EUA, que se deu com cinco navios de guerra. A estes se somou uma esquadra particular de navios de guerra (depois comprada pelo Brasil), construída pelo empresário norte-americano Charles Flint.
6. A "Esquadra Flint" chega ao Rio dando demonstração de força. O navio-chefe da Marinha dos EUA alertou com dois canhonaços, que levaram ao recuo e exílio de Saldanha da Gama. Dez anos depois, o embaixador Joaquim Nabuco (1905-10) acentuou a parceria preferencial com os EUA em outra Conferência Pan-Americana.
7. Este desenho da geopolítica continental completa 120 anos. A Argentina até hoje reclama. Mas agora, em 2010, o Grupo Rio criou mais um clube e excluiu os EUA. O governo "sub-15" do Brasil entrou nesta como já tinha entrado no caso de Honduras. Acha que está fazendo história. O que está mesmo é aquecendo a política chavista. E estimulando as relações bilaterais dos EUA com os países do continente, que já chegam a 60% deles.
Transcrito do Ex-Blog do Cesar Maia.
3.12.2010
OS RISCOS DA CANDIDATURA DILMA!
1. Um desenho que representasse uma campanha eleitoral deveria ser uma curva quase horizontal em sua parte inicial e que iria crescendo progressivamente, tornando-se quase vertical, num ângulo de 60 graus, nos últimos 15 dias de campanha. O "produto" eleitoral tem uma característica única: se leva ao mercado num dia só, das 7h às 17h. Se não servir, só poderá ser reapresentado ao mercado 4 anos depois.
2. Nos EUA, os planos de campanha fazem, inclusive, acompanhar o gasto com esta curva. Diz-se que eleição não se ganha de véspera, nem no dia seguinte.
3. Grande parte do eleitorado está com a cabeça longe da política. Por isso, os institutos separam os indecisos e os não totalmente decididos, que ainda podem mudar seus votos. Uma campanha muito antecipada ou é de um candidato franco favorito, ou corre o risco de ser um filme já visto pelo eleitor na hora de começar a decidir o seu voto.
4. A superexposição, segundo a escola francesa de Jacques Seguelá, queima como a luz do sol. Há a necessidade de mergulhos e retorno à superfície. Deve ser assim, segundo ele, no caso dos governos, para que a superexposição não venha com queimaduras de terceiro grau. Nas campanhas, esse movimento sinuoso não cabe como nos governos. Mas cabe um processo de exposição progressiva, onde o eleitor vai descobrindo ou redescobrindo o candidato, numa imagem que vai se tornando cada vez mais nítida.
5. Uma campanha muito antecipada, sem que exista a justificativa de eleições primárias, como nos EUA, pode, pela repetição, cansar o eleitor, que começa a resmungar: Outra vez? Que cara chato(a)!
6. Esse é o risco que Dilma começa a correr. Pesquisas qualitativas informadas a este Ex-Blog começam a notar essa sensação de estresse por excesso. Um fenômeno que hoje poderia se chamar de "Síndrome do Filho do Brasil", ou seja, o filme que foi tão badalado antes, tão apresentado, tão debatido, tão polemizado, que quando foi para os cinemas não resistiu mais que à primeira semana.
7. E depois, a imagem que fica vai perdendo a nitidez para o eleitor. Não há óculos, propaganda ou dinheiro que dê jeito. As pesquisas qualitativas eleitorais (grupos de foco) são difíceis de serem feitas, pois exigem experiência de rua. As candidaturas podem testar e fazê-las com um Instituto com muita experiência nelas. E com isso, comprovar que Dilma começou a cansar antes mesmo de a eleição começar. Afinal -disse uma pessoa num desses grupos-, essa mulher não trabalha? Disse outro: Todo dia ela aparece num comício, e eu nem me lembro o que ela disse! E por aí vai.
8. Uma pesquisa qualitativa hoje deve testar a tese: Dilma começou a cansar o eleitor antes mesmo da campanha?
Transcrito do Ex-Blog do Cesar Maia.
3.05.2010
Merval Pereira
A reação foi tão ruim que provavelmente a intenção de Lula de se licenciar da Presidência da República para entrar de corpo e alma na campanha de sua candidata, Dilma Rousseff, sem os empecilhos da legislação eleitoral não se concretizará.
Até mesmo o senador José Sarney, que teoricamente seria beneficiado pela manobra pois voltaria à Presidência, rejeitou a ideia com um argumento imbatível: um ex-presidente não pode voltar ao cargo como interino de ninguém.
A intenção de Lula de se licenciar do governo já havia sido revelada em algumas ocasiões, inclusive como explicação para seu apoio incondicional ao presidente do Senado durante a crise que quase lhe custou o cargo.
Além da retribuição ao apoio que recebeu de Sarney na crise do mensalão, o presidente Lula queria a garantia de que um aliado confiável assumiria o governo durante sua ausência.
Lula mesmo já havia dito que, se fosse preciso, se licenciaria para apoiar a campanha de Dilma. Portanto, nada de estranho na notícia do Ilimar Franco de que Lula já teria decidido se licenciar nos meses de agosto e setembro.
O que certamente o Palácio do Planalto não esperava era uma reação tão grande a essa manobra, que nada mais é do que uma tentativa de burlar o espírito da lei eleitoral, que pretende colocar os candidatos em igualdade de condições na disputa presidencial.
Esse conceito da legislação é difícil de ser atingido quando um membro do Executivo - tanto faz seja prefeito, governador ou presidente da República - está tentando a reeleição.
Mas vários casos de perda de mandato por abuso de poder político ou econômico estão acontecendo em estados e municípios.
Por muito menos do que o presidente Lula tem feito, vários já perderam o mandato.
O que acontece com a campanha presidencial é que não há ainda a oficialização das candidaturas, e o governo se aproveita desse detalhe técnico para forçar os limites da legislação, com a condescendência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O presidente Lula já inaugurou a mesma obra várias vezes, ou até mesmo pedras fundamentais de obras que ainda nem começaram, sempre com a sua candidata no palanque.
Deveria bastar um fato desses para ficar evidenciada a tentativa de usar o cargo para promover sua candidata, ferindo o espírito da legislação.
Certa ocasião, Lula disse ao povo presente a um desses comícios que eles deveriam tomar nota dos responsáveis pelas obras - e citou explicitamente a ministra Dilma entre eles - para que, depois, quando eles já não pudessem mais ir a inaugurações, se lembrassem de quem fez aquela intervenção.
Mais ilegal do que isso não é possível. Maior abuso de poder político e econômico é difícil de se ver.
Na verdade, depois que o PT lançou-a como "pré-candidata", o TSE deveria impedir que a ministra Dilma inaugurasse obras.
Nada acontece com Lula por ser ele o presidente da República e, mais do que isso, ter uma grande popularidade.
Se o PT estivesse na oposição e um presidente tucano fizesse o que Lula faz, já haveria protestos dos chamados "movimentos sociais" por todo o país.
De qualquer maneira, a partir de 3 de abril, com a desincompatibilização dos candidatos, ficará mais difícil a quem quer que seja burlar tão explicitamente a lei.
Quanto ao presidente Lula, licenciando-se do cargo ou não, continuará tendo as mesmas limitações legais, embora licenciado não constrangesse tanto os ministros do TSE.
Como não renunciou ao cargo, Lula continua sendo o presidente, e por isso não poderá pedir votos para Dilma afirmando que ela será a continuidade de seu governo, por exemplo.
Nem poderá fazer campanha em horário de trabalho.
Além disso, há constitucionalistas que não vêem respaldo na Constituição para que o presidente da República se licencie para fazer campanha política.
Mesmo que não se leve em conta o artigo 37 da Constituição, que coloca a moralidade como um dos requisitos fundamentais da função pública, no mínimo porque ao servidor público é permitido apenas o que está explícito na lei. E fazer campanha política não é um dos casos previstos na Constituição para que o presidente se licencie do cargo.
É previsível que teremos boas batalhas jurídicas nesta campanha, porque Lula já disse que só se considerará realizado se conseguir eleger sua sucessora.
Como fala muito, e não tem medidas, chegou a dizer que um governo só é exitoso quando o presidente elege seu sucessor.
Se fazendo o que faz já provoca reações na parte da sociedade que não convive bem com as transgressões, caso se licenciasse do cargo, Lula estaria explicitando na prática o que já disse publicamente, sem nenhum constrangimento: sua prioridade é eleger Dilma Rousseff.
Governar passou a ser secundário neste último ano de mandato.
Essa atitude de Lula, afrontando a legislação com pequenas espertezas, talvez seja uma das piores heranças que ele deixa para o país.
A prática política passou a ser nivelada por baixo, valendo mais quem é mais esperto, não o mais preparado.
Vale maquiar os números do PAC, vale fingir que não é candidata, mas fazer campanha política abertamente, vale trocar apoio político por cargos, vale ter em seu palanque o adversário de ontem apenas porque ele tem votos naquela região.
Como tudo isso dá certo, a prática se dissemina a ponto de não haver uma diferença fundamental entre os principais atores da cena política, mesmo que uns sejam mais comedidos do que outros.
A esperteza passa a ser elemento fundamental da prática política, colocando como secundário o conteúdo dos debates e propostas.
Vale tudo para se alcançar o objetivo político.
Artigo de Merval Pereira publicado no "O Globo" e transcrito dos "Blogs pela Democracia":
http://blogspelademocracia.blogspot.com/2010/03/vale-tudo.html
3.02.2010
DIREITA E ESQUERDA SEM USAR A AUTODEFINIÇÃO DO ELEITOR!
Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (27).
1. Uns meses antes da eleição presidencial francesa de 2007, o instituto Ipsos com "Nouvel Observateur" realizaram pesquisa de opinião para conhecer o perfil ideológico do eleitor francês. A idéia era deixar de lado a autodefinição do eleitor. Propunha duas questões: economia e valores. Eram feitas diversas perguntas. O eleitor apontava com o que concordava ou discordava. Partia da ideia de que ser de esquerda em matéria econômica era querer mais Estado. Ser de direita seria dar ao Mercado maior peso. Para garantir a coerência das respostas, as diversas perguntas eram misturadas. O programa as separava para a apuração nestes dois vetores: Estado e mercado.
2. Da mesma forma em relação a valores. Ser de direita, no modelo, seria a adoção de valores Conservadores em relação ao sexo, à vida (aborto), à família, à lei... Ser de esquerda seria adotar valores Liberais. O resultado mostrou que o "partido majoritário" na França era um misto: de esquerda em relação à economia e de direita em relação a valores.
3. O instituto GPP repetiu para o Brasil a mesma pesquisa, adaptando-a às questões mais conhecidas dos eleitores brasileiros, dentro das mesma duas questões. Da mesma forma, agrupou as respostas em função do que seriam visões de economia e valores, de esquerda ou de direita. Exatamente como na França, o "partido majoritário" no Brasil era um misto: de esquerda em relação à economia (mais Estado) e de direita (posição Conservadora) em relação a valores. Num ponto -"propriedade"-, ambas as pesquisas mostraram que havia uma mistura ou cruzamento: na economia, como um elemento de esquerda em relação à não privatização, e nos valores, como de direita em relação ao direito de propriedade.
4. O direito de propriedade é visto pela grande maioria da população como um bem e uma conquista: seu aparelho de som ou TV, sua pequena casa, seu pequeno negócio, sua pequena propriedade, suas roupas, seus CDs... No Chile de Allende, quando a população passou a achar que a estatização chegaria a suas "propriedades" individuais, a base da oposição não apenas cresceu mas foi para as ruas. De passiva, passou a ativa, incluindo, na linha de frente, caminhoneiros, taxistas, lojistas, pequenos proprietários rurais, vindo em seguida setores médios e populares.
5. A surpresa quanto à passividade social em relação ao golpe veio depois explicada por este fator: a propriedade como um valor.
Transcrito do Ex-Blog do Cesar Maia.
1.29.2010
O verdadeiro inimigo, em política, é indicado pelas circunstâncias'.
Heitor De Paola | 28 Janeiro 2010
Artigos - Movimento Revolucionário (MIDIA SEM MASCARA)
Heitor de Paola rebate Tibiriçá Ramaglio, lembrando do Pacto de Princeton, de 1993, uma aliança feita entre o Foro de São Paulo e o Diálogo Interamericano, representado por FHC, líder e mentor intelectual dos tucanos.
Eu não pretendia me imiscuir mais uma vez na sujeira da política interna brasileira, particularmente sobre as próximas eleições, mas o Sr. Tibiriçá Ramaglio houve por bem contestar com um novo artigo os comentários que eu fizera ao anterior, no sentido de que não há diferença palpável entre PT e PSDB, ou entre Dilma e Serra. Neste novo artigo o Sr. Tibiriçá faz três coisas:
2. Num lamentável último parágrafo, como a demonstrar que reconhece a fraqueza de sua argumentação, passa para a ofensa pessoal, comparando-me com os delirantes Chávez e Zelaya e introduzindo um assunto que nada tem a ver com a discussão. De quebra, ainda opõe o que seria minha obtusidade ao pragmatismo de Churchill, do qual este se arrependeria amargamente depois, não somente pela traição do socialista Roosevelt que chamava Stalin de Uncle Joe, a ele entregando mais da metade da Europa.
3. No que seria o âmago do texto o Sr. Tibiriçá demonstra desconhecimento de quase tudo sobre o que fala. Vejamos.
Revela uma completa ignorância sobre a política da República de Weimar ao declarar: 'Na Alemanha de 1933, para abalar o governo socialista da República de Weimar, os comunistas votaram nos nacional-socialistas, cometendo um suicídio que só não era previsível para eles mesmos. Um equívoco terrível, que ajudou o verdadeiro inimigo. Essa é a questão: o verdadeiro inimigo, que não é uma entidade ideal, abstrata, encarnação de nossos mais terríveis pesadelos. O verdadeiro inimigo, em política, é indicado pelas circunstâncias'.
Não tenho conhecimento de nenhuma eleição em que isto tenha ocorrido. A participação dos Comunistas (KPD), após um resultado pífio em junho de 1920 (2,1%) variou de maio de 1924 a julho de 1932 entre 12,6 a 14,3%. Na última eleição antes da tomada do poder por Hitler, em novembro de 1932 subiu para a maior votação de sua história: 16,9%, obtendo sua maior participação no Reischstag: 100 Deputados. Mesmo na eleição já realizada sob o terror nazista,em março de 1933, citada pelo Sr. Tibiriçá, obteve 12,3% e 81 cadeiras (Fontes: HISTORICAL EXHIBITION PRESENTED BY THE GERMAN BUNDESTAG, Weimar Republic e The Radicalization of the German Electorate). Dificilmente esta diferença de 4,6% e 19 cadeiras indicariam que, nesta eleição, "os comunistas votaram nos nacional-socialistas".
Quanto a nazistas e comunistas serem inimigos é uma afirmação sem sentido depois da abertura dos arquivos de Moscou. Desde 1922, por força do Tratado de Rapallo (German-Russian agreement, signed at Rapallo, April 16, 1922) a URSS armou o Reichswehr, permitiu progressivamente a instalação de bases de treinamento para os alemães dentro de suas fronteiras, de forma a ludibriar o Tratado de Versailles, permitiu a instalação de fábricas de gás mostarda, forneceu aviões e tanques de guerra para treinamento. Isto sem falar no Pacto Ribbentropp/Molotov. Os comunistas jamais votaram nos nazistas, como afirma o autor, porque o eleitorado, como qualquer eleitorado inclusive o brasileiro, é composto de idiotas úteis e militantes de base que nada sabem dos acordos de cúpula. Stalin via no nazismo a ponta de lança do comunismo para destruir as democracias européias e tomar conta de todo o território. A cúpula do KPD já sabia de tudo muito antes e coube a Ernst Thäelmann, Presidente do Partido, explicar aos militantes que o inimigo jamais fora inimigo: o único inimigo era a democracia liberal de Weimar que ambos pretendiam destruir. (Sugiro também a leitura de The Red Army and the Wermacht: how the Soviet Militarized Germany and Paved the Way for Fascism, Prometheus Books, Amherst, NY, 1995).
Exatamente o que ocorre no Brasil atual e que, mais uma vez, o Sr. Tibiriçá ignora: em 1993, Lula, pelo Foro de São Paulo, e FHC, pelo Diálogo Interamericano, se reuniram em Princeton, onde FHC lecionava, e sob a coordenação do Secretário de Estado de Clinton, Warren Christopher, assinaram o Pacto de Princeton, versão tupiniquim dos anteriormente citados. Se o Sr. Tibiriçá quiser, está tudo lá no Capítulo XII do Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial (É Realizações, 1998), PP. 209-219. Os amorosos tucanos exigiram do PT as metas de controle populacional defendidas pelo Diálogo: legalização do aborto, esterilização em massa, legalização da união de homossexuais e enfraquecimento da Igreja Católica que deveria ser substituída por um misticismo individualista sem necessidade da intervenção sacerdotal. Incluía-se também o enfraquecimento dos partidos "de elite" com constantes e ininterruptas denúncias de corrupção e das Forças Armadas.
Esquece o Sr. Tibiriçá, ainda, que o próprio PNDH teve suas duas primeiras versões aprovadas nos governos de FHC, que foi este que iniciou os processos de indenizações por "crimes da ditadura" e criou o Ministério da Defesa, tirando os Militares das decisões políticas da Nação, e que também foram os elegantes tucanos que começaram a financiar a guerrilha do MST. Esquece também as inúmeras declarações de FHC de que a diferença entre os dois partidos não é ideológica (leia-se: ambos são comunistas) e da entrevista do Senador tucano Sérgio Guerra, brilhantemente comentada por Nivaldo Cordeiro, na qual afirma que o PSDB está à esquerda do PT.
PT e PSDB são serpentes gêmeas nascidas do ovo USP bastante fecundadas pela Unicamp. Votar num ou n'outro é exatamente a mesma coisa.
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Aproveito para lançar uma teoria: como no Pacto de Princeton foi combinada uma alternância no poder entre os dois partidos, impedindo qualquer outro de participar em igualdade de condições - e isto foi cumprido à risca, pois, depois de oito anos de FHC, os tucanos lançaram um Serra amorfo em 2002 e um picolé de chuchu em 2006 - não estará agora o PT cumprindo sua parte ao lançar uma péssima candidata ao invés de outros melhores, só para perder para Serra? Se eu fosse Presidente do PT lançaria um candidato melhor, como o Suplicy, testado várias vezes nas urnas e sobre o qual não pairam dúvidas de corrupção. A conferir!
Direitos humanos
O atual governo, em íntima colaboração com os ditos movimentos sociais e as alas mais à esquerda do PT, está produzindo uma completa deformação dos direitos humanos. De perspectiva universal, eles estão se tornando, nas mãos dos que teimam em instaurar no Brasil uma sociedade socialista/comunista, um instrumento particular de conquista do poder. Acontece que essa conquista do poder é agora mais insidiosa, passando por uma ampla campanha de formação da opinião pública.
De fato, se perguntarmos a qualquer um se é favorável ou não aos "direitos humanos", a resposta será certamente "sim". Se fizermos a mesma pergunta por uma sociedade socialista/comunista, a resposta será majoritariamente "não". Eis por que a forma de influenciar a opinião pública pressupõe essa armadilha das palavras, que corresponde a um plano ideológico predefinido.
Eis uma das razões de por que o dito programa insistiu em abrir uma crise com os militares, com o intuito claro de indispor a sociedade brasileira com a instituição militar. O uso de expressões como "repressão política", agora alterada para "violação dos direitos humanos", tem precisamente o propósito de reabrir uma ferida, de preferência infeccioná-la, para que o projeto socialista/comunista possa tornar-se mais palatável. Afinal, os militares seriam, nessa perspectiva, os "repressores", enquanto os que pegaram em armas por uma sociedade comunista seriam as "vítimas", os "democratas".
Maior falsificação da História é impossível. Os que lutaram contra o regime militar, em armas, fizeram-no, por livre escolha, em nome da instalação do comunismo no Brasil. A guerrilha do Araguaia era maoista, totalitária. Não o fizeram pela democracia. São, nesse aspecto, responsáveis por suas escolhas e não deveriam ter sido agraciados com a "bolsa-ditadura". Se optaram pelo comunismo, deveriam ser responsáveis por sua opção e não deveriam colocar-se como vítimas. Lamarca, Marighella e o próprio secretário Vannuchi pretendiam instalar o totalitarismo no Brasil. O primeiro, aliás, era um assassino confesso, tendo matado covardemente um refém, um tenente da Polícia Militar de São Paulo, a coronhadas. Eis os heróis dos "direitos humanos".
Todo o documento está escrito na linguagem própria dos ditos movimentos sociais, que são organizações políticas com o mesmo propósito socialista/comunista. Em seus documentos não escondem isso, embora, para efeitos públicos, utilizem a linguagem mais palatável dos "direitos humanos". O "neoliberalismo" e o "direito de propriedade" se tornam os vilões dessa nova versão deturpada dos direitos humanos.
Reintegrações de posse não seriam mais cumpridas sem que antes uma comissão de "direitos humanos" fizesse a mediação entre as partes. Ou seja, uma decisão judicial perderia simplesmente o valor. Na verdade, esses comitês seriam erigidos em instância judiciária final, que decidiria pelo cumprimento ou não de uma decisão judicial. O MST julgaria a ação do MST. No Pará, onde esse modelo já foi aplicado, por recomendação da Ouvidoria Agrária Nacional, o caos é total. Até intervenção federal, encaminhada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi pedida ao Supremo. A Justiça lá não era mais respeitada.
Qual é, então, o objetivo dessa diretriz de impedir o cumprimento de decisões judiciais? Legitimar, se não legalizar, as invasões dos ditos movimentos sociais, que teriam completa liberdade de ação. Sequestros, destruição de maquinário, corte de tendões do gado, incêndio de galpões, destruição de alojamentos de empregados e sedes de empresas não seriam mais crimes, mas expressões de ações baseadas nessa muito peculiar doutrina dos direitos humanos.
O agronegócio, em particular, vira vilão no documento. Não faltam críticas às monoculturas de eucaliptos, cana-de-açúcar e soja, que, nessa exótica perspectiva, seriam culturas atentatórias aos direitos humanos. A falta de qualquer cultura nos assentamentos seria, essa, sim, expressão de uma nova forma de agricultura. Os despropósitos, porém, não param por aí. Os setores de habitação e de construção civil são, também, novos alvos. Há propostas sobre novas abordagens do Estatuto das Cidades, que deveriam corresponder a essa nova doutrina. E até uma expressão algo enigmática de identificação de "terras produtivas" nas cidades, seja lá o que se queira dizer com isso. Em todo caso, o esquema é o mesmo. A invasão de um prédio em construção não seria suscetível de sentença judicial de reintegração de posse sem antes passar por uma "mediação" dos ditos movimentos sociais. Os mesmos que invadem são os que fariam a tal mediação.
Não pensem os industriais que essas medidas não os afetam. Também há no cardápio medidas dirigidas a esse setor. A expansão de uma usina de etanol, de uma siderurgia, de uma empresa de mineração deveria passar pela aprovação de um comitê de fábrica, por razões ditas ambientais. Não bastariam as licenças ambientais, já suficientemente rigorosas, mas, se esse plano for levado adiante, seria, então, necessário passar por esses novos "sovietes", porque é disso, na verdade, que se trata.
Para que as medidas sejam totais é imprescindível que a opinião pública seja controlada. Se elas forem mostradas em seu autoritarismo, certamente não passarão. Eis por que as empresas de comunicação deveriam estar subordinadas a um "conselho de direitos humanos", de fato, à autoridade dos novos "comissários da mídia", cujo poder poderia chegar a revogar uma concessão. Por exemplo, a filmagem divulgada pela Rede Globo de destruição dos laranjais da Cutrale seria, nessa nova ótica, atentatória aos "direitos humanos", por "criminalizar os movimentos sociais". Os novos comissários, que têm a ousadia de se apresentar como representantes dos direitos humanos, solapariam as próprias bases da democracia. Eis o que está em questão. O resto é palavreado!
Artigo publicado no O Estado de S Paulo e O Globo em 18/01/10 do http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/direitos-humanos-denis-lerrer.html
Parabens Tostão, COM O NOSSO DINHEIRO não!
O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:
Tostão escreveu:-
"Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.
Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.
O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..
O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.
É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.
A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.
Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.
Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.
Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.
Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.
Tostão "
1.28.2010
Guerrilha e redemocratização
O REGIME de exceção, em que o Brasil viveu de 1964 a 1985, foi encerrado, não por força da guerrilha -que terminou, de rigor, em 1971-, mas principalmente pela atuação da OAB, à época em que figuras de expressão a conduziam, como Raymundo Faoro, Márcio Thomaz Bastos, Mário Sérgio Duarte Garcia e Bernardo Cabral, e de parlamentares como Ulysses Guimarães, Mário Covas e Franco Montoro, entre outros.
Tenho para mim que a guerrilha apenas atrasou o processo de retorno à democracia, pois ódio gera ódio, e a luta armada acaba por provocar excessos de ambos os lados, com mortes, torturas e violências.
Muitos dos guerrilheiros foram treinados na mais antiga e sangrenta ditadura da América (Cuba) e pretendiam, em verdade, apenas substituir uma ditadura de direita por uma ditadura de esquerda.
Os verdadeiros democratas, a meu ver, foram aqueles que, usando a melhor das armas, ou seja, a palavra, obtiveram um retorno indolor à normalidade, sem mortes, sem torturas, sem violências.
A Lei da Anistia, proposta principalmente pelos guerrilheiros, foi um passo importante para a redemocratização, pois possibilitou àqueles que preferiram as armas às palavras a sua volta ao cenário político. A lei, à evidência, pôs uma pedra sobre o passado, sepultando as atrocidades praticadas tanto pelos detentores do poder, à época, como pelos guerrilheiros. E foram muitas de ambos os lados.
Num país em que o ódio tem pouco espaço -basta comparar as revoluções de nossos vizinhos com as do Brasil para constatar que o derramamento de sangue aqui foi sempre muito menor-, tal olhar para o futuro permitiu que o Brasil ressurgisse, com uma Constituição democrática.
Nela, o equilíbrio dos Poderes possibilitou o enfrentamento de crises, como o impeachment, a superinflação, os mais variados escândalos, entre os quais o do mensalão foi o maior, e a alternância de poder sem que se falasse em rupturas institucionais. Vive-se -graças à redemocratização voltada para o futuro, e não para o passado- ambiente de liberdade e desenvolvimento social e econômico próximo ao de nações civilizadas.
O Programa Nacional de Direitos Humanos, organizado por inspiração dos guerrilheiros pretéritos, pretende, todavia, derrubar tais conquistas, realimentando ódios e feridas, inclusive com a tese de que os torturadores guerrilheiros eram santos, e aqueles do governo, demônios.
Essa parte do plano foi corrigida, tendo o presidente Lula admitido que, se for criada a comissão da verdade, há de apurar tudo o que de excessos foi praticado naquela época -por militares e guerrilheiros. Tenho a impressão de que isso não será bom para a candidata Dilma Rousseff.
O pior, todavia, é que o programa é uma reprodução dos modelos constitucionais venezuelano, equatoriano e boliviano, todos inspirados num centro de estudos de políticas sociais espanhol, para o qual o Executivo é o único Poder, sendo o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público Poderes vicários, acólitos, subordinados. No programa, pretende-se fortalecer o Executivo, subordinar o Judiciário a organizações tuteladas por "amigos do rei", controlar a imprensa, pisotear valores religiosos, interferir no agronegócio para eliminá-lo, afastar o direito de propriedade, reduzir o papel do Legislativo e aumentar as consultas populares, no estilo dos referendos e plebiscitos venezuelanos, além de valorizar o homicídio do nascituro e a prostituição como conquistas de direitos humanos.
Quem ler a Constituição venezuelana verificará a extrema semelhança entre os instrumentos de que dispõe Chávez para eliminar a oposição e aqueles que o PNDH-3 apresenta, objetivando alterar profundamente a lei maior brasileira.
O programa possui, inclusive, "recomendações" ao Judiciário sobre como devem os magistrados decidir as questões prediletas do grupo que o elaborou, à evidência, à revelia de toda a população e do Congresso. Pela má qualidade do texto e pelo viés ideológico ditatorial, dificilmente essas propostas passarão no Legislativo. Se passarem, creio que o Supremo barrará tudo aquilo que nele fere as cláusulas pétreas constitucionais e os valores maiores em que a sociedade se lastreia.
Certa vez, ao saudoso crítico Agripino Grieco um amigo meu (Dalmo Florence) apresentou livro de poesia recém-lançado, pedindo-lhe a opinião. No dia seguinte, Agripino disse-lhe: "Dalmo, li o livro de seu amigo e aconselho a queimar a edição e, em caso de reincidência, o autor". Sem necessidade de adotar a segunda parte do conselho agripiniano, a primeira seria admiravelmente aplicável a esse programa de direitos desumanos.
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 74, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.
Ministro compara as críticas ao Programa Nacional de Direitos Humanos a um movimento pró-ditadura
Vannuchi diz que há defesa da volta dos DOI-Codis
Wilson Tosta, enviado especial em Porto Alegre
"Não tinha lido, nos últimos anos, uma confissão tão clara de que, se for preciso construir DOI-Codis de novo, vamos construir DOI-Codis de novo", declarou o secretário, em referência aos Destacamentos de Operações de Informações - Centros de Operações de Defesa Interna, organismos de repressão política comandados pelo Exército nos anos 70, sobre cujos ex-integrantes pesam acusações de tortura e assassinato.
Em entrevista, Vannuchi amenizou o discurso. "Puxa vida, 21 anos de reconstrução democrática, e ainda existem pensamentos que ecoam a ideia de que, na diferença, não aceito opinião diferente da minha, e, se a pessoa insistir, queime-se quem faz a defesa. Está errado, é preciso conviver, o Fórum Social Mundial é uma grande demonstração disso, há pluralidade, há divergência."
O secretário afirmou ser bom que "esses segmentos utilizem atualmente o instrumento da notícia na imprensa, de articulação de uma ofensiva como essa, porque em outros momentos da história se utilizaram de dispositivos muito menos democráticos do que esses". Foi nesse contexto que acusou seus críticos de quererem a volta dos órgãos de repressão
MANIFESTAÇÃO
Vannuchi aproveitou a oficina para rebater críticas ao PNDH-3 e para criticar a imprensa. "Fui lembrado como terrorista, uma revista disse "não conseguiu no revólver, quer conseguir na caneta"", reclamou. Ele negou que a proposta de criar a Comissão da Verdade, que investigaria crimes ocorridos na ditadura, tivesse como objetivo revogar a Lei de Anistia. "Bastava ler, está lá, com todas as letras, né, "observadas as disposições da lei 6.683", ou bastava o colega jornalista, quem sabe o editor, ir lá e ler, se quisesse noticiar direitinho, ver que não é contra a Lei de Anistia, havia um amplo consenso de não revisar a anistia." Segundo ele, os ataques que sofreu tiveram, em algumas publicações, "pequenas características de linchamento". "Não vamos reagir com o mesmo espírito de ataque a quem nos chamou de revanchista, procurar uma palavra equivalente, porque em direitos humanos o instrumento é o diálogo, a explicação paciente, perseverante, reconhecendo a alteridade", pregou.
Segundo Vannuchi, a discussão sobre a ditadura não é revanche. "Ninguém está preocupado em jogar ninguém na masmorra, para que morra lá. Pelo contrário, se quer jogar luz, conhecer para não deixar acontecer outra vez", afirmou, sob aplausos. Apesar de elogiar a composição do grupo de trabalho que preparará o projeto de criação da comissão, Vannuchi previu dificuldades internas para chegar a uma proposta de consenso.
1.27.2010
Onde estão os cinco justos?
Olavo de Carvalho - 25/1/2010 - 19h09
No seu editorial de terça-feira passada, o Estadão choraminga que "a Segunda Conferência Nacional de Cultura, programada para março, foi concebida como parte de um amplo esforço de liquidação do Estado de Direito e de instalação, no Brasil, de um regime autoritário. O controle dos meios de comunicação, da produção artística e da investigação científica e tecnológica é parte essencial desse projeto e também consta do Programa Nacional de Direitos Humanos".
São verdades óbvias, impossíveis de desmentir. Mas vêm tarde demais. Quem há de deter a ascensão do autoritarismo esquerdista num país onde as facções "de direita" se enfraqueceram tanto que já nem podem lançar um candidato presidencial próprio e só lhes resta escolher o "menos esquerdista", sem nem mesmo ter a clara certeza de que essa gradação hipotética corresponde a uma realidade ou a uma falsa esperança? Esperança que, diga-se a bem da justiça, o próprio escolhido não pode ser acusado de alimentar em ninguém.
Já passaram por essa mesma humilhação em 2002, e nem isso bastou para alertá-las quanto à gravidade do estado de coisas. Ao contrário, não houve, no meio delas, quem não celebrasse como apoteose da democracia aquilo que foi, com toda a evidência, uma farsa esquerdista calculada e montada para pregar o último prego no caixão da direita, com a anuência servil e até festiva da própria vítima.
Quando uma facção politicamente destruída não tem sequer a coragem de confessar o desastre, isso significa que internalizou a derrota ao ponto de já nem mais poder pensá-la como tal. Sai da competição e, apegando-se à mentirinha tola de que a surra brutal foi apenas uma brincadeira entre amigos, passa a disputar nada mais do que um lugar de sparring na academia do adversário.
Foi precisamente nessa condição que o sr. Alckmin subiu ao ringue eleitoral em 2006: desmanchando-se em demonstrações de polidez e bom-mocismo, omitindo-se de denunciar os crimes do partido adversário, não concorreu com ele senão para ajudá-lo a ocultar sob um manto de respeitabilidade postiça o sangue e as fezes que então, decorridos dezesseis anos da fundação do Foro de São Paulo, já o manchavam até à raiz dos cabelos.
Nunca um candidato foi tão vulnerável, tão fácil de derrotar quanto o foi o sr. Luís Inácio Lula da Silva nos dois últimos pleitos. Para destruir não somente sua candidatura, mas todas as suas ambições políticas quaisquer que fossem, bastaria mostrar, nos debates da TV, o compromisso de ajuda integral que ele assinara com a narcoguerrilha colombiana em 2001 e perguntar se, no governo, ele pretendia ser fiel à sua aliada, traindo os eleitores brasileiros, ou cumprir as leis do País e tornar-se alvo do ódio do Foro de São Paulo inteiro.
Se o candidato nominalmente de direita tivesse feito isso uma vez, uma única vez, ele seria hoje presidente da República, e não haveria nenhuma "Conferência Nacional de Cultura" ou "Plano Nacional de Direitos Humanos" para assombrar as noites dos editorialistas do Estadão.
Em vez disso, o sr. Alckmin preferiu dar a impressão de que tudo o que o distinguia do seu adversário eram miúdas diferenças políticas entre cidadãos igualmente decentes, igualmente democratas, não separados nem mesmo por alguma divergência ideológica substantiva.
Mas estou sendo injusto com o sr. Alckmin. Ele não foi o único que, sob o pretexto de "manter alto o nível do debate", elevou aos píncaros a imagem de um inimigo que, já então, chafurdava gostosamente, fazia uma década e meia, no lamaçal da aliança entre crime e revolução, protegido do olhar curioso do eleitorado pelos bons préstimos de toda a "grande mídia", de todos os partidos políticos, de todos os comandantes militares, de todas as igrejas, de todos os intelectuais, de todos os "formadores de opinião".
O sr. Alckmin não teve culpa nenhuma senão a de ser igual, em coragem e senso de responsabilidade histórica, a praticamente todos os demais líderes da "direita".
As exceções contavam-se e contam-se nos dedos de uma só mão, mas duvido que a completem.
Se existem cinco justos na direita brasileira, digam-me quem são eles, e expliquem por que não escolhem um deles como candidato na próxima eleição presidencial.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
1.22.2010
Parcerias estratégicas
Publicado em 21/01/10 no O GLOBO
A disparidade de preços do Rafale francês em licitações em andamento em países como a Índia e os Emirados Árabes está introduzindo uma nova variável na concorrência brasileira para a compra dos caças da FAB, que já estava na berlinda diante da informação de que a Aeronáutica prefere o avião sueco Gripen, por ser o mais barato de todos. A explicação oficial de que a compra brasileira seria decidida não por critérios de preço, mas sim por adequação a uma estratégia de política externa brasileira, fica abalada pela diferença de preços oferecido pela França ao Brasil e aos outros países
A Índia está comprando nada menos que 126 aviões pelos mesmos US$ 10 bilhões que o Brasil está pagando por 36, sendo que desses 108 serão produzidos na Hindustan Aeronautics no próprio país, com programa de transferência de tecnologia até onde se sabe igual ao prometido ao Brasil. Os Emirados Árabes, por sua vez, estão comprando 60 jatos Rafale, num negócio estimado entre US$ 8 a US$ 11 bilhões. A prevalecer essa diferença de preços, estaríamos diante de um "parceiro estratégico" que se aproveita de nosso interesse para cobrar mais caro pela parceria. O governo brasileiro, que já deixou claro, através do próprio presidente Lula, sua inclinação para comprar os jatos da empresa Dassault, resolveu fazer uma consulta formal à França para saber quais são as diferenças entre o pacote brasileiro e os outros que justificariam preços tão desiguais. A única explicação seria o pacote tecnológico, mas as primeiras informações são de que a Índia também terá um programa de transferência de tecnologia. Para complicar o jogo, que já parecia definido, a Boeing está oferecendo para a Embraer a participação no programa de desenvolvimento do avião, chamado de Global Super Hornet, o que significa uma mudança de atitude inédita no governo americano em matéria de transferência de tecnologia. Também o Congresso americano, que tem que aprovar os programas de transferência de tecnologia, deu a autorização prévia em setembro. No final de dezembro passado o Ministro da Defesa Nelson Jobim recebeu por escrito uma proposta da Boeing, assinada pelo presidente e CEO Dennis Muilenberg, detalhando a oferta, que já havia sido chancelada pela Secretária de Estado Hillary Clinton em carta ao ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. A proposta da Boeing é transformar a indústria brasileira "no único fornecedor de peças críticas da célula para a linha de produção do Super Hornet para o Brasil e todas as aeronaves da Marinha dos Estados Unidos". A empresa se compromete também a entregar "os primeiros pacotes de dados de engenharia" junto com a assinatura do contrato. Será criada uma estrutura de gerenciamento para a transferência de tecnologia da Boeing para o Brasil, e para demonstrar confiança de que o contrato será cumprido, a empresa americana aceita pagar uma penalidade financeira de 5% "com base em qualquer obrigação não concretizada". O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já falou três vezes com o Presidente Lula para dar o apoio ao projeto, e a Secretária de Estado Hillary Clinton garantiu, na carta a Amorim, "o apoio total do Departamento de Estado dos Estados Unidos à oferta da Marinha americana, com a Boeing, do F/A – 18/F Super Hornet à Força Aérea Brasileira como parte da concorrência brasileira". Para dissipar dúvidas sobre a transferência de tecnologia, que é o calcanhar de Aquiles da proposta americana, a secretária Hillary Clinton escreveu que "este é um importante momento para uma aliança estratégica Estados Unidos-Brasil e estamos interessados em expandir a cooperação bilateral não apenas através de venda de armamentos, mas também através de uma crescente cooperação na indústria de defesa, inclusive na área de transferência de tecnologia". A Boeing se compromete também a financiar cerca de 100 mil homens/hora para a Embraer participar do programa internacional de desenvolvimento do Global Super Hornet, o que tornaria o caça "financeiramente acessível, viável e capaz para além de 2020". A desconfiança de setores do governo brasileiro em relação à nova postura dos Estados Unidos sobre transferência de tecnologia, porém, continua. Há um trecho na carta da secretária Hillary Clinton em que ela garante que o Departamento de Estado apoia integralmente "a transferência de toda informação relevante e a tecnologia necessária", o que é interpretado como uma limitação a essa transferência. Os Estados Unidos definiriam, de acordo com seus interesses particulares, o que seria tecnologia "relevante" e "necessária". Até mesmo a multa de 5% em caso de não cumprimento do acordo é visto por esses setores não como uma demonstração de boa-fé, mas de dúvidas da própria Boeing sobre o cumprimento dos compromissos assumidos. Se não antes, na próxima visita da Secretária de Estado Hillary Clinton ao Brasil, em março, o governo brasileiro poderá esclarecer essas dúvidas. Isso se não anunciar sua decisão antes. Há especulações de que faria isso nos próximos dias, embora agora a questão do preço esteja em destaque e precise de uma explicação pública. Se o governo brasileiro não anunciar sua decisão oficial antes do Carnaval, no entanto, certamente quando o Congresso voltar a funcionar o tema provocará um amplo debate, a começar pelas razões por que o governo brasileiro insiste em fazer uma parceria estratégica com a França mesmo a custa de pagar mais que o triplo do preço pago pela Índia, ou quase o dobro dos Emirados Árabes. E por que a parceria estratégica proposta pelos Estados Unidos não é tão interessante para o Brasil quanto a da França. As vantagens e desvantagens de cada uma terão que ser dissecadas em público.